10 de agosto de 2008

Só por brincadeira


Tudo começou a pouco mais de um ano atrás.

Pertencíamos ao mesmo grupo de amigos, no entanto, estávamos mais pra conhecidos do que amigos. Sabíamos pouco um do outro, mas já desconfiávamos do interesse mútuo.

Do meu lado a vontade de experimentar era conflitante com o medo do que poderia acontecer depois. "E se ele não entendesse que eu queria só uma noite?" ou "se ele não tivesse nenhum compromisso e se apegasse de mais?". Todas aquelas dúvidas me colocavam numa posição mais observadora do que nunca, afinal não era o melhor momento para arranjar "problemas". Do lado dele? Não faço a menor idéia, mas (de alguma forma) eu sabia que ele me queria,porém era tão discreto que, até então, eu não tinha certeza de nada.

Em uma noite de festa bebemos uns copos a mais e... conversa vai, conversa vem surge o assunto... pra minha total surpresa ele era casado. O primeiro pensamento que veio foi: "ok, me enganei, ele não quer nada comigo", contudo - com a libido crescente e incentivada pelo teor alcoólico um pouquinho elevado - n o segundo seguinte vem a idéia de que isso pode ser uma informação bastante útil, uma vez que faria muitos dos meus "medos" irem embora.
Naquele exato instante o "jogo" começou, e não entrei pra perder.

A noite segue e, assim como eu, todos ali sabiam que ele era casado (e que eu tinha namorado), ou seja, toda prudência era bem vinda.
Continuamos a beber e a conversar em grupo. Dos assuntos??? Não lembro ao certo, já nem prestava muita atenção, pensando em como "atacar" se que mais ninguém notasse. Lembro apenas que quanto mais o tempo passava (e mais as cervejas faziam efeito) os comentários ficavam mais... digamos... picantes e as indiretas (cada vez mais diretas) ecoavam no ar em tom de brincadeira.

Ao fim da noite cada uma para sua tenda... ou pelo menos essa seria a teoria.
Com a melhor "desculpa" que pude arranjar naquele momento (e hoje admito: foi uma das mais "esfarrapadas" que já consegui) e fui bater à porta dele. Não dei-lha nem tempo de perguntar o que eu queria e fui entrando. Afinal, o máximo que poderia acontecer, se eu estivesse muito enganada, seria ele pedir pra eu sair. Mas eu estava certa e o desejo era recíproco.

Mal entrei e já fui surpreendida por um belo beijo. As mãos já não se continham, buscavam percorrer cada parte do meu corpo, assim como as minhas queriam o corpo dele. Na ansiedade de matar aquela curiosidade e todo o desejo acumulado neste tempo, as roupas foram colocadas de lado. Estávamos nus descobrindo cada recanto de prazer que podíamos proporcionar e sentir. Os beijos não cessavam, e o prazer aumentava a cada instante, a cada sussurro, a cada revelação.
Agora já não são apenas as mãos a percorrerem os corpos, as bocas também entram em ação e o desejo já faz com que não consigam se afastar. O tesão aumenta e cada um, a sua maneira, monstra ao outro que o quer cada vem mais perto, mais e mais perto até encaixarem-se numa perfeita harmonia, como espaços complementares feitos sob medida um para o outro. Os gemidos são sufocados, mas vê-se em nossas faces o imenso prazer que somos capazes de provocar um no outro. O ritmo, que havia começado lento para que o encaixe se desse de maneira mais que perfeita, agora acelera cada vez mais como que incontrolável. Não se pode fazer barulho e a lembrança do perigo de ser descobertos nos excita ainda mais. Não paramos um só instante, num entra e sai que torço pra que não acabe, meu prazer é imenso, só consigo pedir (baixinho) que não pare, e cada vez mais forte ele vem e vem, até que gozamos juntos. E depois de tudo, tão relaxados adormecemos, sem se quer uma palavra, apenas caricias e o pensamento de: "amanhã se vê no que isso tudo vai dar, mas valeu a pena", um beijinho e boa noite


A imagem chama-se "Chegada" - de Isabel Lhano

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